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Richardson

FOTOGRAFIA: FÁBIO LAMOUNIER + RODRIGO LADEIRA

28102019

Em agosto fomos para Goiânia pela primeira vez para o Festival Bananada e, aproveitando a rápida estadia na cidade, fotografamos novos chicos para o site. Richardson mora em Anápolis, cidade próxima a Goiânia e, curiosamente, a terceira maior cidade evangélica do país. Em nosso Airbnb ele nos contou algumas histórias sobre a infância, o despertar de sua sexualidade e a forte relação com os avós, deixando claro a importância da memória para sua vida pessoal e profissional.

 

“Eu me reconhecer gay foi desde muito novo, bem criança mesmo. Minha vó materna tinha 06 irmãos, uma delas travesti e outra sapatão, e toda a família lidava bem com eles, então pra mim foi tranquilo entender isso. Quando entrei no colégio, em contato com outros meninos, eu já percebi que tinha algo de diferente comigo. Lembro que com 08 anos eu tentei me assumir pros meus pais mas, vivendo em uma cidade do interior e ouvindo que aquele tipo de coisa era errado, eu me segurei na época com medo de apanhar. Na tentativa de mudar, passei por aquela fase de namorar menina e foi um perrengue hahaha. Mas depois com 15 anos eu me assumi real.”

“Bullying a gente não tem como fugir né? Na minha família a maioria é mulher então pra mim era normal brincar de boneca, inclusive onde eu ia a Barbie Sereia sempre tava junto hahaha. Por causa disso e pelo fato de ter um nome diferente eu sempre era chamado de “Bichardson”, mas nem ligava. Comigo era a filosofia da vaca: to cagando e andando.”

“O que me fez entender que eu precisava assumir para os meus pais foi quando eles foram vítimas de um sequestro. Depois de todo o episódio traumático eu pensava “Cara, eu quase perdi eles e eles nem sabiam quem eu era” e por isso me deu vontade de contar. Eu, que já tava morando em outra cidade, resolvi me abrir primeiro para minha mãe. Ela tava me visitando e um dia acordei com isso na cabeça e pensei “é hoje”, quando vi já tava falando. Eu achava que ela ia ser muito tranquila por ter vários parentes LGBTQ na família mas não foi o que aconteceu. Na época associei a reação ao fato dela ainda estar traumatizada com aquele episódio tenso e deixei passar tudo o que ouvi. Pro meu pai eu contei quando minha mãe tava internada no hospital. Quando percebeu do que se tratava a conversa ele literalmente saiu correndo pro quarto falando que ia dormir. Eu não me senti sozinho nessa época por que contava com o apoio dos meus avós. Ouvi dos dois que eles me amavam ainda mais por ser quem eu era então isso me ajudou muito.”