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Pedro

Fotografias: Rodrigo Ladeira

06092018

Comecei a conversar com o Pedro no instagram do projeto, um ex namorado dele havia participado e ele também queria ter a experiência de posar. Fomos combinando e entre um trabalho e outro seu, ele chegou aqui em casa em um dia de manhã para fazemos os cliques. Ao longo do dia foi me contando sobre seus namorados, dates e o relacionamento com a família: “Os meus dois relacionamentos foram escondidos dos meus pais. Viver em uma família que não vê a homossexualidade como algo natural, torna-se difícil ficar batendo de frente o tempo todo. No começo, eu fingia que nada acontecia, antigamente era tudo escondido mesmo, um pouco pesado por ter que mentir. Agora, tô ficando velho já, né? A cobrança parece que diminuiu um pouco e cada vez mais, eu preciso dar menos satisfação. Mas nós temos feito alguns avanços!”

“Os meus dois relacionamentos até agora foram muito marcantes pra mim. O primeiro, marcante justamente por ser o primeiro, eu era bem novo (19 anos na época), não sabia muito o que era isso direito e fui meio que a trancos e barrancos vivendo e aprendendo. Mas o último, agora já com 25/26 anos, me transformou muito. Aprendi muito mais, sabia muito mais também. Acredito que aproveitei mais e principalmente estava mais disposto a encarar uma pessoa diferente de mim na minha vida e me adaptar a isso. Foi muito mais intenso. Em ambos o término foi bem tranquilo. Busco terminar meus relacionamentos da melhor maneira possível, afinal aquela pessoa fez parte, e uma grande parte, da minha vida. Eu procuro guardar o que foi bom e meio que jogo fora o que não foi. Meu novo EU precisa de espaço pro que ainda vai vir!”

“Eu acho que o amor em si nunca mudou. Não importa o período que estamos. O Amor é amor desde o começo de tudo. As pessoas que vão se descobrindo e se libertando, eu acho. O que pode ser novo/estranho hoje em dia, com certeza, não vai ser mais daqui um tempo.  No meu último relacionamento tínhamos uma relação aberta.Tínhamos nossas próprias regras e nossa própria dinâmica. Confesso que no começo tive um pé atrás… mas depois eu percebi que eu tinha esse receio justamente porque eu nunca tinha parado realmente pra analisar e refletir o que seria esse tipo novo de relacionamento. E confesso que funcionava muito bem. Todos temos desejos e vontades que extrapolam o nosso parceiro e acho que é um pouco hipócrita da nossa parte ficar negando isso o tempo todo. As aventuras/momentos mais marcantes que já tive, só aconteceram mesmo quando eu me permiti sair da zona de conforto, e eu digo hoje que valeu a pena!  Sou uma pessoa muito racional, que acha que se faz sentido, ok! Daí entrou também eu me permitir viver algo diferente. Acho que as pessoas, hoje em dias, precisam se permitir sentir coisas novas, sejam elas em qualquer área da suas vidas. Se você nunca discutiu isso com seu parceiro, recomendo muito que o faça! Até mesmo pra vocês se conhecerem melhor. É claro que não funciona pra todo mundo. Mas o diálogo dentro de um relacionamento é a maior ferramenta pra ele durar.”

“Eu acho que vivemos hoje um momento muito foda nessa questão. Ao mesmo tempo que fico feliz de ter nascido nessa época, sei que ainda temos muito, muito mesmo pra conquistar. O gay negro, pobre, afeminado e todos os outros que acumulam essas e outras características que são consideradas fora do padrão atual de beleza e “normalidade” ainda sofrem muito preconceito tanto dentro de casa quanto fora, no trabalho, na rua, na escola. Infelizmente ainda é o padrão achar que isso é motivo pra diminuir as pessoas. Enquanto essa parcela, se não a maior parcela da nossa comunidade, não for reconhecida como igual, nossa luta por reconhecimento tem que continuar. E muito desse preconceito vem de dentro da nossa comunidade. Não podemos negar que os avanços que conquistamos até hoje (a imensa maioria deles graças à essas minorias mais excluídas e afetadas pelo preconceito) já nos colocaram em um lugar na sociedade de onde já não conseguem nos tirar, e isso nos anima mais um pouco. Gay é gay, lésbica é lésbica, assim por diante, e isso sempre vai ser assim. As pessoas estão cada vez mais aceitando isso. A nossa luta é um dia de cada vez, infelizmente uns tendo que lutar muito mais do que outros.”

Sempre fui uma pessoa mais reservada e até uns anos atrás, extremamente tímido. Os tempos mudaram, eu também e nos últimos meses tenho refletido muito sobre aquela questão do se permitir. Me permiti. E o resultado foi muito satisfatório, libertador. As roupas saíram, mas o conhecimento pessoal entrou com tudo!”