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Isac

25082016

Depois de fotografar o Sérgio, ele muito me falou do seu amigo Isac – em especial por conta da expressão “Diagonal dos Gêneros”. Num dos últimos dias conseguimos entrar em contato com ele, retornando de uma viagem que estava em gravações, e fui direto à uma casa no Benfica fotografá-lo. Sentamos na varanda e a primeira coisa que perguntei foi relacionado à sexualidade e a dita expressão. “Eu ficava nesse meio termo, me identificava com elas em uns pontos, com eles em outros. O corpo andrógino sempre me chamou muita atenção.”

✗  After photographing Sérgio, he too told me a little about his friend Isac – especially because of the expressions he uses “Diagonal of Genres”. In our last days in Fortaleza we got in touch with him, and when he returned from a trip to record a movie I went straight to a house in Benfica neighborhood to photograph him. We sat on the floor and the first thing I asked was related to hi sexuality and his expression. “I was in that middle ground, I identified with girls in some points and with boys in others. The androgynous body always caught my attention.”

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“Eu não me sinto gay, eu me sinto gente. Me sinto humano. Por isso eu costumo dizer que eu sou uma Diagonal entre os Gêneros. Eu permaneço fluido entre esses gêneros já bem colocados na sociedade. Me identifico com uns, me identifico com outros, me identifico com todos, me identifico com nenhum, dentro da minha individualidade. Resumindo, eu não tenho problema em ser gay, os outros que têm problemas comigo por eu ser.”

✗ “I do not ‘feel I’m gay’, I feel I’m a ‘person’. I feel human. That’s why I usually say that I am in a diagonal between the genres. I remain fluid between these genres already well-placed in society. I identify with one, I identify with others, I identify with all, I identify with none in my individuality. In short, I have no problem with being gay, the others who have problems with me because I am.”

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“Eu vinha muito de uma não identificação com nenhum estereótipo já me apresentado. A minha melhor amiga era uma trans, mas eu não me via como trans. Tinha várias amigas mulheres cis, mas eu também não me via como mulher cis. Jogava futsal com os meninos, era zagueiro do time do colégio, e brincava de boneca com as meninas. Então assim, essa Diagonal entre os Gêneros vai sem começo nem fim. Eu costumo dizer que com isso, como consequência disso, eu sou um provocador estético, eu gosto de ter essa relação. O meu discurso é mais como eu me visto mesmo, das pessoas olharem, julgarem ou não julgarem, acharem interessante ou não. Enfim, a imagem hoje em dia chega muito primeiro do que as teorias, né. Eu acho que essa imagem que eu provoco nas pessoas traz muito da minha fala e dos questionamentos que eu tenho em relação a isso.”

✗ “For a long time I haven’t identified myself with any stereotype shown to me. My best friend is a transgender woman, but I didn’t see myself as a transgender. I had a bunch of female friends, but I also did not see me as a cisgender woman. I used to play soccer with the boys from my school, and play doll with the girls. So this ‘Diagonal between Genres’ goes without beginning or end. I usually say that, as a result of it, I am an aesthetic provocateur. My speech is about what I dress and look. People stare at me, they judge or they don’t, they find interesting or not. Anyway, I think that the image is faster than the theories. I think that my own image brings a lot of my speech and of the questions that I have about it. “

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“‘Seja gay, mas não seja tanto’. Eu penso o contrário: eu vou ser do jeito que eu quiser. Eu tive algumas barreiras pra quebrar dentro da família, por essa minha postura mais feminina e fluida. Mas com relação a minha sexualidade não há nenhum problema. Minha avó conversa comigo abertamente, pergunta sobre meus namorados e até procura namorado pra mim. Dentro da minha casa eu levo e apresento meus namorados para minha mãe, conversamos sobre isso. Com meu pai também, ele já até foi em balada gay comigo e a namorada dele. Meu tio já foi me assistir performando em boate gay.”

✗ “‘Be gay, but not so much’. I think the opposite: I’ll be the way that I want to. I had some barriers to break into my family, because of that feminine and fluid posture I have. But regarding my sexuality there wasn’t much problem at all. My grandmother talk openly to me, she asks about my boyfriends – and sometimes she searches for a boyfriend for me. Inside my house I can present a boyfriend to my mother, we talk about it. And my father in the same way, he has even been in gay nightclub with me and his girlfriend. My uncle watched me performing in gay club once. “

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Sentados ali no Benfica, bairro universitário e já extremamente ligado às militâncias sociais, fiquei a discutir sobre a vivência enquanto LGBT na cidade – demarcada com uma das mais violentas do Brasil. A resposta dele caminhou por um outro lado: “Eu não consigo sentir essa violência toda aqui em fortaleza, como eu sinto em Recife ou João Pessoa, por exemplo. São cidades que tem mais atentados homofóbicos do que aqui. Assim, é uma pequena parcela de pessoas que estão nessa militância, mas aos poucos essa proporção está se tornando maior e melhor. Então eu não sinto a violência física, a violência verbal ela é bem cultural. Até porque aqui é a terra do humor. Você faz humor com tudo, até com você mesmo. Então eu entendo que seja natural até essas questões, mas por ser natural também que podem ser re-significadas.”

✗ Sitting there in Benfica, university neighborhood and extremely linked to the social militancies, I was discussing the experiences as LGBT in the city – marked with one of the most violent in Brazil. His answer walked by another hand: “I don’t feel that violence here in Fortaleza the way I feel in Recife or João Pessoa, for example. Those are cities that have more homophobic attacks than here. Although it is a small part of people who are in this militancy, gradually this proportion is becoming bigger and better. So, I do not feel physical violence, but verbal violence it is very cultural. Here is also the land of humor. You make jokes with everything, even with yourself. So I understand that it is natural even in those circunstancies, but because it is also natural that can be re-signified.”