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Francisco

FOTOGRAFIA:  FÁBIO LAMOUNIER E RODRIGO LADEIRA  |  TEXTO: FÁBIO LAMOUNIER   |  VÍDEO: GUILHERME SANTIAGO

29082016

Quando lançamos o projeto no dia 20 de Junho de 2015, conhecemos o Francisco logo na festa de lançamento, querendo participar do projeto. Algumas semanas depois, ele retornou de Juiz de Fora para Belo Horizonte e fizemos seu ensaio. Na época, pensamos que ele seria a capa de uma possível publicação que faríamos (na época, pensávamos em fazer um zine) e seguramos seu ensaio por muito tempo. Por gostarmos muito das fotografias, mas também pela brincadeira com o nome do projeto. Esse Chico é um dos que abre o livro com uma carta que escreveu à mãe, se assumindo aos 13 anos.

✗ When we released the website online, on June 20 2015, we met Francisco at the launch party, wanting to participate in the project. A few weeks later, he returned from Juiz de Fora to Belo Horizonte and we made his photos. At the time, we thought he would be the cover of a possible publication we would do (at the time, we thought of doing a zine) and hold his photoshoot for a long time. Because we like a lot those photographs, but also because of his name (the nickname for Francisco is Chico). This Chico is one that is in the first pages of the book with a letter he wrote to his mother, telling he was gay when he was 13 years.

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Das perguntas que fizemos, a que mais marcou a entrevista fora sobre a relação dele com sua mãe. “Ela é muito protetora, passou a minha infância e início de puberdade escolhendo tudo meu. Ela escolhia minha roupa, minha escola, o que eu falava, o que eu não falava. Existia tipo um script de como a gente deveria se portar, se tratar. E aí eu comecei a questionar isso muito. (…) Passei dos 11 aos 15 anos em uma perturbação minha, que era bastante profunda. Era uma fase que eu tentava administrar várias coisas, sabe, minha irmã tem um problema de cabeça, eu sou gay, tinha muitos desgostos, muitos problemas, sendo que dentro da minha família todas as diferenças são apontadas. Quando eu me assumi pra minha mãe eu tinha 15 anos, e foi através de uma carta que eu escrevi aos 13, que ficou guardada por dois anos.”

✗  The relationship he has with his mother became the theme of the whole conversation. “She’s very protective. All my childhood and early puberty she chose every single thing for me. She chose my clothes, my school, what should I spoke and what not. There was kind of a script of how we should behave. And then I started to question it a lot. (…) I went from my 11 to 15 years in a disturbance, which was quite deep. It was a phase I was trying to manage several things: my sister has a problem in her had, I’m gay, I had many disappointments, and in my family all the differences are pointed out. When I told my mother I’m gay I was 15, and it was through a letter I wrote when I was 13 – it was kept hidden for two years.”

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“Era uma carta bem curta, em que eu falava que a gente estava se distanciando muito, era como se existisse uma ponte entre a gente que estava intransponível. Sentia falta dela, da gente se abraçar, do convívio. Mas era uma escolha minha me afastar. (…) Eu estava num namorinho na época e ele me pediu para que me assumisse para a minha mãe, corresse os riscos, e eu precisava fazer isso. Deixei a carta pra ela de manhã junto com uma revista que falava sobre ‘ser gay, filhos gays, que os novos gays não precisavam levantar bandeira’ – algo que hoje eu super discordo.”

✗ “It was a very short letter, in which I spoke that we were moving away from each other, it was as if there was a bridge between us that was insurmountable. I missed her. But it was my choice to stay away. (…) I was in a little relationship at the time and my boyfriend asked me to get out of the closet for my mother, to take all the risks doing that, and I needed to do it. I left that letter I wrote when I was 13 for her in the morning, along with a magazine that talked about ‘being gay, gay children, and that the new gay guys don’t need to raise flag’ – something today I totally disagree.”

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“Aí eu fui pra aula com o pensamento de que se eu chegasse em casa e a carta ainda estivesse lá, eu recolheria e desistiria. Minha mãe é uma mulher muito brava, sabe. Aí eu cheguei em casa da escola, tinha um almoço maravilhoso, como se nada tivesse acontecido. Minha mãe passou 3 dias sem falar a respeito disso, até que um dia ela chegou pra mim e falou ‘você é aquilo que está na revista?’. Ela não conseguia repetir o que era. Respondi que sim. Aí ela me abraçou e falou que eu poderia ter ganhado aquele abraço antes. (…) Passei anos sem saber que esses três dias demoraram, porque ela foi procurar meus amigos mais próximos, meus professores, psicólogos. Então, ela pensou no meu bem estar, antes do bem estar dela. E minha mãe faz isso diariamente. Minha relação com ela é sensacional.”

✗ “Then I went to school with the thought that if when I came home and the letter was still there, I would collect and give up. My mom is a very fierce woman. Then I came home from school, I had a wonderful lunch as if nothing had happened. My mother spent three days without talking about it, until one day she came to me and said ‘you are what is in those magazines?’. She could not repeat what it was. I said yes . Then she hugged me and said I could have won that hug before. (…) I spent years not knowing that those three days took long because she was looking for my closest friends, my teachers, psychologists. So she thought of my well-being before the welfare of her. And my mother does it daily. My relationship with her is amazing. “

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