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Fabricio

FOTOGRAFIA: RODRIGO LADEIRA + FÁBIO LAMOUNIER

13112017

Conhecemos o Fabricio há cerca de dois anos. Em algumas vindas rápidas para São Paulo e umas férias que ele escolheu BH como destino. Talvez seja uma das pessoas mais decididas que conheço. Se gosta, ele vai até o fim. Ao contrário é ainda mais certeiro, um não bem decidido de quem sabe escolher o que quer e precisa. Consegui acompanhar as mudanças na aceitação do seu próprio corpo, aos poucos gostando de si. Sendo feliz como é. Foi incrível ver a cada novo post seu suas mudanças, sua autoestima aumentando para que ele chegasse um dia a tirar toda a roupa e ser clicado por nós para o projeto.

“Ser gay pra mim é expor toda essa ânsia de crescer e ter espaço, de batalhar sempre, levar na cara, mas nunca abaixar a cabeça, ou deixar de sorrir, deixar de ser luz, de ser cor, de ser colorido. Tanta coisa boa surge quando pensa na pessoa que me tornei no me momento que eu me vi gay, em tudo que posso conquistar. Isso se relaciona diretamente a minha identidade, mesmo entre altos e baixos, eu sei o que eu quero da minha vida e batalho por isso. Acredito no amor, na gratidão e ainda acredito nas pessoas.”

“Quando fiz 18 anos, percebi que não tinha nada errado comigo, eu era gay, e ser feliz era minha meta. Então a primeira coisa que fiz foi contar pra minha Mama (como eu chamo minha Mãe). A aceitação veio desde de o primeiro momento, acho que assim como muitas mães sentiu medo pelo sofrimento que eu poderia passar. Mas sempre me apoiou e esteve do meu lado, até pergunta sobre fantasias do próximo carnaval. Hoje família, amigos e colegas de trabalho sabem que sou gay, nunca escondi.”

“Eu sentia que havia algo de diferente em mim, eu nunca achei que fosse algo errado, e nunca pedi em oração para ser diferente, como algumas historias de amigos. Eu acho que minhas experiências forem mais sensoriais do que cinestésico. Eu trocava olhares e sorrisos, mas não sabia onde isso poderia levar.  Mas foi depois de terminar um relacionamento da adolescência foi que me ‘percebi gay’. Existia na minha cabeça uma coisa que era o exemplo que eu tinha dentro de casa, meu irmão, eu queria ser igual ele, que minha Mama tivesse o mesmo orgulho.”

“Já fui xingado nas ruas, metrô e etc… Mas a mais foda foi em um emprego que tive. A sensação de impotência foi horrível! Eu estava a alguns dias de tirar férias, fiz uma super dieta para poder conhecer RJ e BH sem culpa e emagreci 12kg. Estava no café e um diretor chegou e falou, “Nossa! Você emagreceu! Ta com AIDS?” Foram segundos que duraram uma eternidade, eu não sabia o que dizer, o que fazer. Eu só queria chorar. Mas quando eu achei que não podia piorar, ele endossou com: “É só dar a bundinha com camisinha” e saiu… Eu me tranquei no banheiro e chorei, eu queria sumir dali, nunca mais aparecer na frente dele. Me veio na cabeça a dor que pessoas portadoras passam pelo preconceito da doença, e quando são gays, o duplo preconceito que carregam. Lembro que fiquei “away” durante uns dias, não rendia no trabalho. Ate o dia que minha chefe me chamou, e questionou o que estava acontecendo, e eu expus tudo.”

“Meu corpo é meu grande tabu, a aceitação tem sido diária. A coisa toda poderia ser muito mais simples, do tipo: ‘Fabrício! Você não é um modelo da Abercrombie!’ Hoje! Eu estou no meu melhor momento, eu gosto do meu corpo, gosto de como me visto e gosto de como tenho evoluído na forma de me expor, tipo sabendo como valorizar minhas melhores partes. As vezes surge algo do tipo, to inchado, bochechudo e etc… Mas eu tenho meditado e isso tem me ajudado muito com essa questão de aceitação, que essa carcaça toda aguenta muita coisa do mundo externo e que não precisa sofrer também com esses questionamentos, cobranças e preconceitos que eu mesmo crio dentro da minha cabeça.”