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Fabiano e Lucas

09042019

No final do ano passado, decidimos sortear um livro do Chicos com votação aberta nos stories do projeto. A foto vencedora foi do Fabiano, um clique realizado pelo Lucas. Como íamos enviar o livro para o Fabiano, começamos a conversar e trocar algumas ideias. Foi aí que ele me contou sobre sua ida até BH perto do natal, dias que iria coincidir com minha viagem para lá. Combinamos então de nos conhecer e que eu fotografaria os dois juntos no quarto de hotel que eles estivessem hospedados. E ouviria sobre o relacionamento deles.

Passamos uma tarde bem quente fazendo as fotos na cama do quarto, aproveitamos o dia seguinte ainda para mergulhar em uma cachoeira perto da cidade. Nos dias que vieram, acabamos não nos encontrando mais. Agora em abril, nos falamos novamente, meses depois desse encontro. Os dois moram em cidades diferentes, para aquele encontro, escolheram Beagá, como o meio do caminho entre o Rio e Brasília. Na despedida desse encontro, sozinho na volta para sua cidade, o Fabiano me enviou seu texto contando sobre os dois:

“Inicialmente, conheci o Lucas através do instagram. Como eu sou do Rio de Janeiro e ele de Brasília seria apenas mais um gay bonito pra ter na rede social e admirar. Em fevereiro deste ano, ele que é fotógrafo e estava passando férias na casa de familiares no Rio me convidou para participar do seu projeto. Já acompanhava o seu trabalho e sempre achei muito bonito então resolvi aceitar. Numa sexta-feira de manhã pós carnaval nos encontramos e fomos a Praia do Recreio para fazer as fotos. Após realizarmos as fotografias, eu precisei ir embora rápido para outro compromisso, na parte da tarde. A noite combinamos de nos encontrar e continuar a bater um papo já que seria sua última noite na cidade. Conversamos, comemos e transamos.  Por estar acostumado a sexo casual, pensei que fosse ser apenas mais um. Durante meses estivemos em contato por mensagens rápidas e curtas sem nenhuma periodicidade. Em junho ele me manda mensagem dizendo que iria para o Rio em julho para passar as férias. Não há como esconder que fiquei contente com a notícia. Entre ele dizer que ia ao Rio e efetivamente chegar na cidade, eu que já planejava minhas férias acabei comprando passagens e ingresso pra um festival brasiliense de música que eu queria muito assistir. Falava pra ele “Você tem a obrigação de reservar pelo menos dois dias pra gente se ver”. Dos 8 dias em que ficou no Rio, nos vimos 6. Em agosto estive em Brasília e no mês seguinte também. Depois combinamos uma viagem à Belo Horizonte em dezembro. Esse é o resumo da história dos nossos encontros e despedidas. De vez em quando surge a pergunta: “Vocês são o que?”. Taí uma pergunta que não sabemos responder. Temos um relacionamento que não há uma titulação. Não com o intuito de parecer descoladão e desapegado (até mesmo porque somos dois escorpianos), mas por que tratamos disso do nosso jeito. Duas individualidades separadas por mais de 1000km que carregam suas bagagens de experiências pretéritas. Temos algo nosso e singular que não há porque darmos um nome tão usual. Escrevo esse texto dentro do ônibus retornando ao Rio depois de passarmos 1 semana juntos. Temos um combinado de manter as coisas leves e sem nenhum peso para que ambos estejam bem na situação. Mas quando tratamos de sentimentos, nada é tão simples tal como aparenta esse texto. Sentir afeto por uma pessoa que mora bem longe é um desafio, mas que contribui para a minha maturidade como um ser humano. Então, se em um dos nossos combinados, chegarmos a decisão de que não há mais motivos para estarmos envolvidos nisso, tenho que certeza que pela lei natural dos encontros eu deixei e recebi um tanto. Em questão à relacionamentos, duas coisas que eu tinha receio: me envolver emocionalmente com alguém e que fosse de outro estado. Mas a vida  surge com imprevisto e eu cumpro ordens de um bom destino. Hoje nos despedimos na rodoviária. Cada um retornando a sua casa com a certeza de que tentamos ser melhores nos últimos dias.”

Esse texto do Fabiano, eu recebi no fim do ano. Quando finalizei o processo de revelar e digitalizar as fotos, eu pedi para o Lucas escrever para mim:

“Tudo despretensioso e livre. Fiz o convite pra posar pro meu projeto já que eu estava pelo Rio (eu brasiliense, ele carioca) e logo nos encontramos. O ensaio rolou e a vontade de se conhecer mais, também. Última noite minha em terras cariocas no ap dele, tudo aconteceu e na manhã do dia seguinte eu já estava indo embora. Meses de conversas e saudades a distância, retorno ao rio e tudo fica com um tom mais “sério” começaram então as vindas pra Brasília e os encontros e rolês juntos. Não sabíamos o que estávamos fazendo, mas sabíamos que tava bom. Marcamos então a primeira viagem juntos pra BH onde conhecemos Rodrigo e posamos pra ele. Na viagem enxergarmos aonde estávamos e para aonde iriamos com a relação, de novo, tudo livre e despretensioso buscamos a sinergia de pensamentos e conceitos em um relacionamento moderno e nos vimos incapazes de classificar mas super afim de viver aquilo juntos. Não sei o que nos aguarda só sei que a importância dos nossos esbarros são inquestionáveis, ele me permitir viver algo junto a ele foi muito significante pra mim. Talvez aquela coisa do tempo vai dizer ou talvez aquela coisa de amanhã me mudo pro Rio e vamos ver o que acontece.”