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Dylon

Fotografia: Rodrigo Ladeira + Fábio Lamounier

27052019

Earlier this year, we took a vacation and went to NYC. At the first day, an Instagram friend showed up at our suite and took us out for coffee. The connection with Santos was immediate. He’s a photographer – with a beautiful job -, and introduced us to his neighborhood, his city, his favorite bars and his incredible friends. One of them, is Dylon. We met him in a bar, during a Drag’s Show, among many shots of vodka. 
In those twelve days in their city, we met a few times, got some tips of what to do and where to go around the city, cooked a brunch and made one more friend.
In the last few days, we invited Dylon to take off his clothes and tell his story. He welcomed us in his apartment, on a very early day before work. He talked about his ex, his arrival in the city and the period he had cancer:

No início do ano, tiramos férias e fomos para NYC. Logo no primeiro dia, um amigo de instagram foi até nosso apê e nos levou para tomar um café. A conexão com o Santos foi imediata. Fotógrafo com um trabalho lindo, ele nos apresentou seu bairro, sua cidade, seus bares preferidos e seus amigos incríveis. Um deles é o Dylon. Nos conhecemos em um bar durante um show de drag, entre muitas shots de vodka. Naqueles doze dias na cidade deles, nos encontramos algumas vezes, recebemos dicas da cidade, preparamos um brunch e fizemos mais um amigo.
Nos últimos dias, fizemos o convite se ele toparia tirar a roupa e contar sua história. Ele nos recebeu no seu apê, em um dia bem cedo antes do seu trabalho. Falou sobre seu ex, a mudança para a cidade e o período que teve câncer: 

“Hello! I’m Dylon. Right now, I’m twenty-seven and living in Brooklyn, New York.
I’m gay. I’m proud. “

Ei! Eu sou o Dylon. Atualmente, eu tenho 27 anos e estou morando no Brooklyn, Nova Iorque.
Eu sou gay e com orgulho.

“When I first moved to New York I was at a very different place with myself and my sexuality. I don’t think I had fully accepted myself at that time. I was living in a small apartment in Queens that first year. That’s where I had my first heartbreak and many of my first New York loves (which later became my best friends). I cherish what I learned that first year about relationships and how New York showed me that I could be myself. That said, I’m now at an even better and happier place. New York City really is a place where people have the attitude “this is me and if you don’t like it fuck you.” Despite how harsh that may sound, it is actually really empowering and let’s you take ownership of being your or becoming you. After living here six years and eventually settling in Brooklyn, I really feel that I’ve found myself and “my people.” When I say “my people” I do mean the queer community, but I also mean my chosen queer family. My little crew here helps me accept and love myself daily. We all support each other in very loving and encouraging ways that help us get through any heartbreak, body issues or general struggles. I can say that since growing these relationships and living in Brooklyn / New York for a while now, my personal image and view of my body has changed. I’m more comfortable to own every curve, love every blemish and just accept my body for what it is. I think New York and more importantly the people here have helped me truly love myself.”

Quando eu mudei para Nova Iorque, eu estava em um momento diferente comigo e com minha sexualidade. Acho que eu não havia me aceitado totalmente naquela época. Naquele primeiro ano, eu vivia em um pequeno apartamento no Queens. Foi lá que eu tive minha primeira desilusão amorosa e muitos dos meus primeiros amores nova-iorquinos (os quais se tornaram os meus melhores amigos posteriormente). Eu guardo o que aprendi naquele primeiro ano sobre relacionamentos e como Nova Iorque me mostrou que eu poderia ser eu mesmo. Dito isto, hoje eu estou em uma fase muito melhor e mais feliz. NYC é realmente o lugar onde as pessoas tem uma atitude de “esse sou eu e se você não gosta, então foda-se”. Apesar de soar agressiva essa frase, é na verdade super empoderador e permite que você seja o dono de si mesmo e se transformar no que é. Depois de seis anos morando na cidade, finalmente eu me estabeleci no Brooklyn. Agora eu sinto que finalmente me encontrei e achei o meu grupo. Quando eu digo “meu grupo”, eu quero dizer minha comunidade Queer, mas também a família Queer que eu escolhi ter. Meu pequeno grupo aqui me ajuda a me amar e me aceitar diariamente. Nós todos nos apoiamos uns aos outros com muito carinho e encorajamento que nos ajuda a passar por qualquer fim de relacionamento, questões com o corpo e qualquer outro problema. Posso dizer que desde que essas relações tem ficado mais forte e eu estou morando no Brooklyn / Nova Iorque, a minha que eu tenho de mim mesmo e a minha visão do meu corpo mudaram. Eu me sinto mais confortável com as minhas curvas, eu amo cada cicatriz e apenas aceito meu corpo como ele é. Eu acho que Nova Iorque e, mais importante ainda, as pessoas que vivem aqui, me ajudaram a me amar de verdade.

“Cancer is a bitch. When I first learned I was diagnosed, my world was shuttered. I didn’t even think of the lasting affects this would have to me mentally and physically. To paint a picture, I gained 15-20 pounds (6-9 kg) of weight and lost most of my body hair. I remember intensely looking in the mirror after my treatments had completed and thinking “who the fuck is this guy.” I was balding and fat. It didn’t feel good or like me. In addition to that, when you go through cancer treatment you have a bunch of chemicals that alter your moods. I felt aggressive, sad, angry and confused during and for about a year after. That said, after fighting and winning, I partially feel that I’ve been given a new opportunity to love life even larger. To truly own and love myself and all of those around me. I think that’s why I try to smile often and generally be kind to people. We all are struggling and working through many things every day.”

Câncer é uma merda. Quando eu fui diagnosticado, meu mundo caiu. Eu nem imaginava como eu seria mentalmente e fisicamente afetado por isso. Para explicar, eu ganhei cerca de 7-10Kg e perdi todo o meu pêlo corporal. Eu me lembro de ficar olhando para o espelho depois que o tratamento acabou e ficar pensando “quem é esse cara?”. Eu estava careca e gordo. Eu não me sentia bem e nem gostava de mim. Além disso tudo, quando você passa por um tratamento de câncer, você tem um tanto de químicos que mudam o seu humor. Durante o tratamento, eu fiquei agressivo, me sentia triste, com raiva e confuso, isso durou mais um ano mesmo depois de ter completado o processo. Dito isso, depois de ter lutado com isso e ganhado, sinto que tive uma oportunidade nova para amar a vida muito mais. Para me amar e todos ao me redor. Eu acho que é por isso que eu tento sorrir sempre e ser gentil com as pessoas. Estamos todos travando lutas pessoais por tantos e diferentes motivos todos os dias.”

For my relationship, that was a learning experience for me in so many ways and cancer added extra struggle. My boyfriend for many years, Tomas, was honestly wonderful. He treated me like a king and was a great partner. I’ll always love him and appreciate that he was there for me through my fight with cancer. That said, for anyone in their 20s, you’re changing every year and with cancer I think I changed even further. I wasn’t the same bright eyed boy that started the relationship after I finished my treatments. I was in a dark place and that shadow was cast over our relationship for a long time. I think overall though we both parted because our lives were going in different ways. He wanted to move to Los Angeles to pursue his dreams, and I wanted to stay in New York with my people and my life. I also wanted him to pursue his dreams. Now we are apart but I’ll always love him and will think fondly of him and our experiences.

“O meu último relacionamento foi uma experiência com aprendizados em todos os sentidos e o câncer acrescentou mais dificuldades. Meu namorado, Tomas, por muitos anos foi incrível. Ele me tratou como um rei, ele foi um ótimo companheiro. Eu sempre vou amá-lo e lembrar com carinho que ele esteve do meu lado durante toda a minha luta contra o câncer. Digo, acredito que qualquer um nos seus 20 anos muda muito a cada ano. Com o câncer, eu mudava ainda mais. Depois que eu terminei o tratamento, eu não era mais o mesmo menino dos olhos brilhantes do início do relacionamento. Eu estava em uma fase muito ruim e isso foi como uma sombra em nossa relação. No geral, acredito que terminamos, pois nossas vidas estavam tomando rumos diferentes. Ele queria seguir o seu sonho e mudar para Los Angeles e eu queria continuar em Nova Iorque com os meus amigos e minha vida. Eu também queria que ele fosse atrás dos sonhos dele. Agora estamos separados, mas eu sempre vou amá-lo e sempre vou pensar nele e nas nossas experiências com muito carinho.”

I’d just love to say that despite some unusual cards I’ve been dealt and some of the challenges that life has brought me…I’ve chosen to remain optimistic. I think we all have that choice. The choice to be happy. I know I’m privileged and have more opportunities to allow for this BUT I also find happiness in the small things. Sometimes I just sit in the sunshine and let that warm feeling sit on my face. In that moment, I think to myself “I’m here. I’m loved…and I’m alive.

“Eu gosto de dizer que apesar de tantas pedras no caminho e dos desafios que a vida me trouxe… Eu decidi me manter otimista. Eu acredito que todos nós temos essa escolha. A escolha de ser feliz. Eu sei dos meus privilégios e tenho mais oportunidades para isso acontecer, mas eu também tento achar a felicidade nas pequenas coisas. Às vezes, eu apenas sento na luz do Sol e sinto o calor no meu rosto. Naquele momento, eu penso “Eu estou aqui. Eu sou amado… e estou estou vivo”.