Chicos about los chicos loja Get in Touch

Diego

FOTOGRAFIA + TEXTO: RODRIGO LADEIRA | EDIÇÃO VÍDEO: GUILHERME SANTIAGO

13102015

Fui à Recife apenas uma vez, quando era muito criança, mas lembro como se fosse hoje do encanto que aquela cidade me proporcionou. Hoje em dia, parece que a cada ida até São Paulo, o destino coloca um recifense em meu caminho. Dessa vez, ganhei o sotaque do Diego, um rapaz que me contou sobre cinema, seu corpo, religião e sua infância – enquanto se despia na sala e fazia alguns dos exercícios recém aprendidos no yoga.  Essa janela linda e que nos iluminou com Sol da tarde e fez realçar ainda mais o tom pernambucano de sua pele.

✗  I’ve beem to Recife only once when I was very little, but I remember like it was today the enchantment the city caused me. Now a days it seems that every time I go to São Paulo I come across someone from Recife. This time it was Diego, who talked to me about cinema, his body, religion and his childhood – while he undressed in his living room and stretched with some yoga moves he recently learned. The afternoon light was coming in from his beautiful window and allowed his beautiful skin tone to be enhanced.

Diego Carvalho_3604 copy

Quando era criança, o Diego morou em um condomínio, em Recife, com sua família. De lá, ele lembrou que não conseguia diferenciar a beleza estética ao gênero e a orientação. Ele achava meninas e meninos bonitos, mas sem saber que aquilo poderia o definir como gay ou não. Recordou nesse instantes das muitas conversas trocadas com os amigos do colégio quando ainda tinha apenas sete anos. Nas rodas dos meninos, eles sempre comentavam das garotas, e quais eram as bonitas. Sempre era a vez de algum deles dar alguma opinião, e ele com tanta timidez, não se pronunciava só confirmava ao concordar com alguém, mas aguardava o momento em que eles iriam falar do Dani. “Eu ficava pensando: ele era o menino mais bonitinho de todos. Uma hora eles tem que falar do Dani, não é possível, tô só esperando esse momento para poder concordar: É, o Dani… O Dani é gatinho”. Infelizmente, o momento de falar sobre o Dani nunca chegou para o Diego, “por que que não chega a hora de falar dos meninos?”

✗  When he was a child Diego lived in a condominium in Recife with his family. From that time he remembers he did not distinguish beauty according to gender or orientation – still doesn’t. He thought girls and boys were beautiful and did not realize that this could maybe define him as gay to others. He recalls many conversations with boys from school when he was only seven. The boys would gather and comment on the girls and which were pretty or not. The boys would take turns making comments but Diego was too shy to do it, so he would only reinforce when he agreed with someone else’s opinion. He was always waiting for the time they would comment on Daniel. “I kept thinking: he is the prettiest of the boys, at some point they have to talk about him. I kept waiting for the moment when I would agree: Yeap, Dani… Daniel is real cute”. Unfortunately the time to talk about Dani never came. “How come it is never the turn to talk about the boys?”.

Diego Carvalho_364dddd9 copysss copy copy

Diego Carvalho_3652 copy copy

Diego Carvalho_3649 copy copy

Carregou em si, durante sua infância e adolescência, os constantes xingamentos, “fui alvo por vários motivos: o gordinho de óculos, afeminado e que levava gibis para ler no colégio. O que eu não entendia era o fato de me hostilizarem por algo que eu sabia ser verdade e que era óbvio. Eu me sentia hostilizado, mas em nenhum momento cogitei tentar suprimir algo ou viver de outra forma”.

✗ Throughout childhood and this teen years he was bullied and called names, “I was a target for many reasons: I was the fairy fat kid with glasses who took comic books to school. What I didn’t understand was why they were being mean about something that was true and obvious. It was all very hostile but I never though for a second I should hide or do things differently”.

Diego Carvalho_3690 copy

Diego Carvalho_3685 copy copy

Como muitos outros ‘chicos’, a primeira relação que Diego teve com outro garoto começou em um bate-papo que existiu antes mesmo do famoso Uol. Entrou em um grupo de conversas sobre uma banda e lá foi conhecendo outras pessoas. Foi então que a conversa com um rapaz 6 anos mais velho esquentou e ele foi até sua casa. “Naquela época eu não pensei em questões de segurança. Eu tinha apenas 13 e ele 19. Ele já morava sozinho, então fomos um pouco além. Durante os meus 13 até meus 16 anos, eu tinha um carma em que todos os meninos que eu ficava tinham um namorado. A gente começava a ficar, passava duas semanas e a pessoa me contava que eu era o outro”.

✗ Like many other ‘chicos’, Diego’s first experience with a boy came from an online chat room. He joined an online forum about his favorite band and started meeting people. It was then when a conversation with a boy 6 years older than him heated up and he went over to his place. “At that time I didn’t think it could be dangerous. I was 13 and he was 19. He was already living on his own so things went a little further then expected. From 13 to around 16 I had a karma where all the boys I started seeing had a boyfriend. We would go out for a couple weeks and then they would tell me I was the other.”

Diego Carvalho_3738 copy

Diego Carvalho_3768 copy copy

Diego Carvalho_3773 copy-2 copy

“O nú é o estado primário do corpo, nós nascemos nus. E a sociedade tem uma relação adoentada com isso, nós não somos incentivados a perceber o nosso próprio corpo.” O Diego começou assim nossa conversa sobre seu corpo, sobre suas pesquisas e seu trabalho. Essa nossa relação com o corpo, em sua opinião, vem do momento em que o Estado e a Igreja se uniram, e onde passamos ter uma relação de culpa com o corpo e com o sexo.

✗ “Being naked is the original state of body, we are all born naked. Society has a sickened relationship with nudity. We are not stimulated to get to know our own body.” That’s how Diego started our conversation about his body and his research for his work. He believes Society’s relationship with nudity started to go sour when the State and Religion came together and brought a sense of guilt to sex and as a consequence to the naked body.