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Breno

FOTOGRAFIA: FÁBIO LAMOUNIER + RODRIGO LADEIRA

16082017

Já nem me lembro mais como nos aproximamos do Breno, a amizade de nós três já completaram alguns bons anos de aniversário. Ele foi um dos primeiros a serem fotografados para o projeto, o Chicos não existia online ainda. Acabou que esse ensaio nunca saiu e antes de entrarmos com o livro na gráfica, refizemos alguns cliques para que ele estivesse registrado naquelas páginas também.

“Eu acho que ser gay cria na gente um sentimento que talvez heteros não desenvolvam com tanta facilidade, é uma coragem extra que temos que ter na vida para assumir quem somos. Eu acho que essa coragem pra mim foi necessária e criada em um processo longo e doloroso na minha adolescência. Foi difícil pra mim ver o mundo além dos muros da escola, durante anos me senti sozinho e sem entender por que não tinha amigos e por que sempre me apontavam o dedo me chamando de “viadinho”. Eu nunca consegui me ver diferente dos outros meninos, por isso nunca entendi. Foi somente por volta dos 16 anos que com o apoio da minha (incrível) irmã que consegui levantar o peito e criar essa “coragem”. Eu espero que  cada vez mais, essa “coragem” extra, não seja mais necessária para ninguém assumir quem é.”

“Eu vejo meu trabalho como um retrato da juventude atual de um modo geral, então sim, isso envolve minha sexualidade. Quero mostrar o que é ser jovem nos dias caóticos que vivemos, o quanto é bonito e quanto é difícil também. De uma forma ou outra, estou ali retratando jovens que tem suas inseguranças e medos, mas que também estão lutando para supera-los e ser mais unidos uns aos outros.

“Eu me vi gay pela primeira vez aos 16, mas como todo jovem de 16 anos, eu era bem inseguro. Decidi esperar fazer 18 para me assumir oficialmente para minha familia, o que parecia ser um bom plano até que minha mãe morreu em um acidente de carro quando tinha 17 anos…. Depois do acidente tudo foi muito complicado e mesmo ja tendo feito 18 anos parecia muito egoísmo da minha parte jogar mais uma “bomba” nas mãos do meu pai. Ele por sua vez teve um papel importante pra que eu me assumisse, foi ele quem puxou o papo e foi ele quem me tranquilizou dizendo que ao longo da vida sempre teve essa conversa com a minha mãe, e que ela apesar do medo de me ver sofrer, sempre me aceitou. Meu pai algum tempo depois também se assumiu gay e hoje mora com o namorado em nossa casa em BH.
Nunca tivemos uma conversa sobre todos esses anos em que ele teve que se reprimir de alguma forma, mas fico feliz de que ele se permitiu viver livre sem ter que se esconder. Acho que tive um bom papel em mostrar pra ele que não precisamos nos esconder para ser feliz.”

“Eu fui o típico caso do menino que sofreu bullying na escola e que não teve ajuda para resolver esse problema. Em casa, eu não sentia abertura para conversar sobre essas questões com meus pais e fui me privando de viver várias coisas incríveis por medo. Medo de ser quem eu era. Bastou a presença de uma pessoa com o coração bom e inspiradora pra que eu pudesse me libertar e finalmente conseguir me expressar. A presença da minha irmã na minha vida é o motivo pelo qual hoje eu me considero uma pessoa feliz. A presença dela me ensinou que a gente pode transformar a vida das pessoas fazendo coisas tão simples e pequenas.
Isso é empatia. No dia que a gente aprender isso como sociedade, o mundo vai ser um lugar mais legal de viver. E é isso que eu espero sempre poder transmitir para as pessoas que cruzam meu caminho.”