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Bernardo

FOTOGRAFIA: FÁBIO LAMOUNIER + RODRIGO LADEIRA  | TEXTO: FÁBIO LAMOUNIER  | VÍDEO: GUILHERME SANTIAGO

21082017

Bem no início do projeto trocamos muitas idéias com um outro vizinho, do Rio de Janeiro, a Flesh Mag; Por ali conhecemos o Bernardo, um dos rapazes que eles fotografaram. Quase um ano depois, quando nós visitamos o Rio fizemos dois convites pra ele – um para discotecar na nossa festa, e outro para posar pro projeto. Numa tarde bem quente e costumeira do Rio fomos até sua casa para fotografá-lo. Das primeiras perguntas que fizemos, relacionadas ao corpo, Bernardo logo responde: “A sociedade impõe através de revistas, da televisão, de que nós temos de ser magros, sarados, e que gordo não presta. Costumo ouvir muito que eu sou lindo, e se emagrecesse ficaria mais bonito. É foda.”

“Quando eu era criança eu não sabia o que era ser gay ou que eu era gay. Eu fazia as coisas naturalmente, brincava de boneca, andava só com as meninas, tinha tesão pelos meus coleguinhas de escola. Tive namoradinhas, mas cagava pra elas. Hoje em dia eu analisando como eu era, eu vejo que eu era muito gay, hahaha, mas não me percebia, era simplesmente natural. Uma das primeiras percepções de que eu gostava de pessoas do mesmo sexo foi vendo um programa de academia na Espm; eu até saía correndo da escola pra vir pra casa, assistir o programa e me masturbar vendo. Acho que foi o momento que eu descobri, pensei ‘é isso mesmo, eu gosto de homem’. Achei que fosse mudar, prometi a mim mesmo que não ia tocar mais punheta pensando em homem, e que iria passar. Mas não passou, e estou aqui agora, viadíssimo, hahaha.”

“Eu sou gordo e no início desse processo de me aceitar gay, frequentar as noitadas gays, eu comecei indo para festas de urso. Fora desse nicho rola muita opressão, especialmente aqui no Rio de Janeiro, onde você tem que ser magro, sarado, não pode ser gordo. Sempre fui gordinho, e quando comecei a sair me falaram pra ir pra essas noites de Urso. Fiquei quase esse período inteiro de início indo para essas festas, achando o máximo, mas foi um ledo engano. Nessas festas vi que rola muita opressão também. Eu sou muito bichinha, e isso no meio urso também é um programa. Por um tempo tive que ficar me segurando pra pegar alguém, era horrível isso. Aí saí dessa comunidade e comecei a ir pras festas ditas ‘normais’, e vi que era a mesma coisa. Aí hoje em dia tenho chutado muito o balde na noite. Tenho saído com umas roupas bem extravagantes mesmo, e eu vou realmente pra mostrar que existe gordo afeminado e que ninguém precisa ser machinho pra ser aceito.”

“Existe esse movimento das bichas que se montam pra sair e não vejo pessoas gordas fazendo muito isso, elas se sentindo confortáveis no próprio corpo. Eu tendo fazer essas duas coisas, de mostrar que elas podem ser confortáveis com o próprio corpo sim. Elas podem, sei lá, ir só de cueca pra noite se quiserem. Porque o magro vai e o gordo não pode? Se ela quiser ela pode sim. Essa coisa da cultura do corpo aqui no Rio é muito pesada, não vejo isso tanto em São Paulo. Talvez por ser uma cidade litorânea, e as pessoas andarem de cima pra baixo sem camisa. Hoje em dia eu sou muito confortável com isso. Não tenho problema nenhum. Às vezes me bate uma bad, porque eu me exponho muito do jeito que eu saio, mas penso que devemos militar, lutar, mostrar pra essa gente que gordo pode andar sem camisa, que gordo pode ser lindo também.”

Bernardo, 29 from chicos on Vimeo.